
Introdução:
O vaginismo é uma condição que afeta a vida sexual de muitas mulheres, mas que nem sempre recebe a atenção e o suporte necessários. Se tens dores durante as relações sexuais, pode ser que o vaginismo esteja por trás disso. Neste artigo, vou explorar um pouco o que é o vaginismo, as causas e sintomas, e o mais importante: como podes superar este problema para viveres a tua sexualidade de forma plena e saudável.
O que é o vaginismo?
O vaginismo é uma condição em que os músculos da vagina se contraem involuntariamente, dificultando ou impedindo a penetração. Esta contração reflexa pode ocorrer devido a fatores físicos, emocionais ou até mesmo uma combinação de ambos. Infelizmente, muitas mulheres sofrem em silêncio, sem compreender completamente o que está a acontecer e onde podem encontrar ajuda.
Sintomas do vaginismo:
Os sintomas do vaginismo podem variar de leves a graves, mas todos envolvem algum grau de dor, desconforto ou dificuldade durante o sexo. Esses sintomas podem incluir:
- Dificuldade ou impossibilidade de inserir um absorvente interno, como um tampão.
- Dor intensa durante a tentativa de penetração vaginal.
- Contração muscular involuntária, o que torna a relação sexual desconfortável ou impossível.
- Ansiedade, medo ou tensão associados à atividade sexual.
- Evitar ou temer relações sexuais devido à dor ou desconforto antecipado.
Acesso ao templo sagrado: NEGADO!
Nesta condição existe uma tensão muscular tal, que os músculos em redor da vagina impedem a entrada do pénis. E claro, sentes dor. E quanto mais a entrada é forçada, mais o teu corpo reforça essa barreira impedindo que acedam “ao teu templo sagrado”. Os teus músculos estão em “modo defesa” .
No teu subconsciente este contexto ativa uma memória de trauma e/ou dor. O teu corpo vai assumir que estás perante uma ameaça e o teu instinto de sobrevivência vai entrar em ação fazendo com que os músculos do teu corpo fiquem prontos “para combate”.
A pergunta que faço sempre: Se estiveres a fugir de um leão, irás sentir-te segura e relaxada o suficiente para namorar? Será o timing ideal? Ou será mais prudente lutares pela tua sobrevivência?
Se estás em modo sobrevivência possivelmente o teu cérebro nunca irá associar este contexto a algo prazeroso. E só por aí a tua resposta sexual vai ficar comprometida. Arrisco-me a dizer que desejo tens pouco, excitação nem por isso e se isto não existe a tua lubrificação também estará comprometida.
Se juntarmos a leitura que o teu subconsciente faz, com a falta de lubrificação que dificulta ainda mais a entrada do pénis, a dor vai aumentar ainda mais. E a imagem de dor que o teu cérebro tem sobre este episódio só vai ser mais alimentada e vai crescer como uma bola de neve. Cada vez terás menos desejo, menos excitação, mais dor, menos prazer!
O que fazer, então?
A boa notícia é que o vaginismo pode ser tratado e superado com tratamento e orientação adequados. Uma abordagem holística e abrangente é crucial para resolver o problema.
- Ginecologia: é a especialidade médica que desempenha o papel de diagnosticar o vaginismo descartando a existência de outras causas subjacentes de dor durante o sexo, nomeadamente infeções. Mediante a confirmação do diagnóstico, o(a) médico(a) encaminha a paciente para profissionais especializados em saúde pélvica para proceder com o tratamento.
- Terapia sexual e/ou terapia cognitivo-comportamental: um terapeuta especializado pode trabalhar contigo para identificar e resolver questões emocionais, medos ou traumas associados ao vaginismo
- Fisioterapia uroginecológica: um(a) fisioterapeuta especializado(a) em saúde pélvica é parte fundamental no tratamento do vaginismo. Ajuda a restaurar a função dos músculos da região pélvica através de exercícios específicos, técnicas de relaxamento e terapia manual. A fisioterapia também pode abordar outras disfunções subjacentes, que podem, inclusive, ser a causa do vaginismo. Por outro lado, esta alteração pode também contribuir para o aparecimento de outras disfunções do pavimento pélvico, o que se repercute de forma negativa na tua qualidade de vida.
Para refletir:
Que traumas viveste ligados a este contexto?
Que crenças e tabus te foram incutidos em relação à sexualidade?
Sentes-te culpada quando vives o prazer de alguma forma?
Viveste alguma situação de abuso, opressão ou humilhação em relação ao teu corpo e /ou sexualidade?
É necessário identificar e desconstruir as causa que levaram a esta situação. E toda esta desconstrução é um processo, principalmente se está associada a situações traumáticas.
Mas o primeiro passo é a consciência daquilo que pode estar na base desta situação. Refletir e acolher para desconstruir e ressignificar.
Será um problema real…ou da tua cabeça?
É importante lembrar que o vaginismo não é um problema psicológico, mas sim uma resposta involuntária do corpo a estímulos sexuais. Portanto, não é culpa da mulher e não é algo que ela possa simplesmente controlar conscientemente ou “superar” por conta própria.
Quando já existe uma manifestação física, isto é, alteração da função dos músculos do pavimento pélvico, é importante que essa função seja restabelecida permitindo que esses músculos aprendam a relaxar. Para isso, é importante primeiro aprender estratégias que induzam esse relaxamento ao teu corpo e levem o teu cérebro a perceber que não existe ameaça para depois ser feito um trabalho mais invasivo para trabalhar a flexibilidade muscular. Se este trabalho não for feito, além desta situação em concreto, outras alterações pélvicas podem surgir.
Isso vai afetar a tua intimidade, a tua qualidade de vida e em última instância, as tuas relações. Sobretudo se resolveres “deixar andar” ou acreditares que “é normal”.
As memórias traumáticas e a tensão muscular daí resultante têm um impacto emocional enorme na tua sexualidade. E a sexualidade é um pilar importante da tua saúde e qualidade de vida. Não lhe dês menos importância!
Quebra o ciclo de dor, culpa e tabus. Abre as portas para uma sexualidade empoderada, livre de medos e desconhecimento.
O vaginismo é um diagnóstico médico, mas as dores durante as relações sexuais podem ter outras causas que não apenas tensão muscular que impede a entrada do pénis. Elas podem, inclusive, ser dores mais “profundas”. Por isso, é importante fazer um diagnóstico da tua situação.
Esses músculos podem estar comprometidos a vários níveis. Para estipular um tempo de reabilitação é necessário primeiro fazer uma avaliação física para definir um diagnóstico e elaborar um plano de tratamento específico para o teu caso.
Se precisas esclarecer alguma dúvida ou marcar a tua avaliação em Fisioterapia Pélvica, envia-me mensagem e vamos conversar!